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A partir de estímulos poéticos lançados pela performer, os estudantes são convidados a tecer, em tempo real, palavras, poemas e desenhos diretamente no tecido da saia, construindo coletivamente uma grande teia poética. Os materiais utilizados — linhas, agulhas, tesouras, retalhos de tecido e canetas para tecido — são dispostos no chão, configurando um espaço acessível, aberto e convidativo à participação.

A ação se inicia com a entrada da performer na sala de aula, vestindo a saia-coração e realizando o gesto inaugural de remendar. Esse gesto funciona como um convite simbólico ao grupo, instaurando um tempo de cuidado e atenção compartilhada. Ao longo da performance, são lançadas perguntas disparadoras, como: “Existe algo que precisa ser remendado?” ou “Há algo no coração que pede cuidado?”.

Essas provocações estimulam os estudantes a refletirem sobre suas experiências individuais e coletivas, convidando-os, de forma voluntária, a intervir na saia por meio de gestos, palavras, desenhos ou costuras. A ação acontece em um ritmo respeitoso, no qual a escuta e a presença são fundamentais, transformando a saia-coração em um dispositivo coletivo de expressão, acolhimento e ressignificação simbólica.

A saia-coração provoca reflexões sobre corporeidade, afetos e laços humanos, impactando jovens da rede pública de ensino de Manaus. Inserida em um contexto sociocultural marcado pela diversidade cultural amazônica, especialmente no ambiente escolar, a performance “remendo corações” se destaca por estimular o pensamento crítico e sensível, evidenciando o poder transformador da arte na construção de relações, identidade e modos de existir.

A realização de performances em espaços escolares, sobretudo junto a adolescentes, abre caminhos para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo, tecendo o autoconhecimento e o trabalho coletivo a partir da consciência crítica. Nesse fluxo sensível, remendo corações emerge como um espaço de formação integral, onde a criatividade tem o intuito de despertar uma consciência social e crítica capaz de transformar jovens e reverberar em suas comunidades.

A performance foi realizada na Escola Estadual Ângelo Ramazzotti, sob mediação da professora de Arte e atriz Daniely Peinado, nos dias 3, 4 e 6 de agosto; na Escola Municipal Vicente Cruz, com mediação do professor de Arte Keven Sobreira, nos dias 5 e 7 de agosto; e na Escola Estadual de Tempo Integral Maria de Lourdes Rodrigues Arruda, sob mediação do professor de História Rafael Cesar da Costa Corrêa, nos dias 10 e 25 de agosto.

Ao todo, serão nove apresentações, para turmas do 6º, 7º, 8º e 9º anos, cada uma seguida por rodas de conversa com os estudantes, ampliando os temas mobilizados durante a performance. 

Ao envolver adolescentes em âmbito escolar em uma performance interativa, em sala de aula, e logo após uma roda de conversa proporciona além de uma inventividade criativa como também fortalece habilidades socioemocionais — como empatia e senso de pertencimento — fundamentais para a construção de redes de apoio entre os próprios estudantes, expandindo assim para a relação dos mesmos com docentes e familiares.

Assim, “remendo corações” contribui diretamente para a formação de jovens em âmbito escolar, fortalecendo as intersecções entre arte e educação e estimulando laços humanos sensíveis e diálogos transformadores.  

mulheres na trama

além de assinar a concepção e a realização de "Remendo Corações", Erika Genebra reúne uma equipe formada exclusivamente por mulheres para conduzir as diferentes etapas do projeto. o projeto foi contemplado pelo Edital de Fomento Cultural Multilinguagens, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC/AM), com recursos do Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

concepção e a realização: Erika Genebra 

performer: Erika Genebra

produção executiva: Viviane Palandi

assistência de produção: Karoline Medeiros

registro fotográfico e audiovisual: Aline Fidelix, Margarita Rengifo,  Tainá Andes e Samara Souza

identidade visual: Cris Desrosiers

assessoria de imprensa: Vivian di Oliveira

marcas que ficam

"Eu senti que costurei em mim uma calmaria que eu precisava naquele momento, naquela semana, foi um trabalho que me trouxe uma energia tranquila. Participar na fotografia me reconectou a mim mesma. Eu gosto disso, mesmo sendo amadora sigo flertando com as imagens, os ângulos, a poesia desse olhar, e a gente vai se colocando junto a performance que ali acontece. É um corpo que também se mexe no espaço e chama atenção, então eu sinto que devia ter muito cuidado e respeito com a obra. Quando vi as pessoas participando, busquei chegar mais perto e me conectar com a energia delas e da artista alí no meio, foi muito bonito ver uma saia sendo costurada por muitas mãos, e é essa construção coletiva e sensível que a gente precisa. Importante os adolescentes terem espaços para expressarem seus sentimentos, frustrações. Então, me tocou nesse lugar especial, costurou um cansaço de trabalho, costurou um retorno meu a fotografia, costurou um novo olhar para o que é uma performance no ambiente escolar… tudo incrível! Parabéns e obrigada. "

tainá andes - fotógrafa

"Participar deste projeto tão profundo e intenso que é o Remendo Corações, foi uma experiência super especial, foi lindo poder acompanhar de perto esse encontro da arte com as crianças. Eu estava ali registrando os olhares, as reações, a curiosidade das crianças e esses pequenos momentos de troca. Foi um privilégio poder contribuir com o meu olhar e guardar, através da fotografia, um pouco dessas histórias e desses encontros.

Afinal, isso é o mais bonito do projeto: lembrar que todos nós temos alguma coisa para remendar e que, às vezes, a arte pode ser justamente essa linha que ajuda a gente a costurar o que sente. "

Margarita Rengifo - fotógrafa 

"Então, a presença da performance na escola foi um incentivo em dialogar a linguagem performática com os estudantes, algo até então não arriscado diretamente em minhas andanças. Esse movimento é fruto continuado da ponte entre a escola e as Artes, materializada além dos muros escolares, o que pra mim é um movimento que traz vida, e por isso, reelaboração. Ao mesmo tempo que almejo esse tipo de parceria, também fico apreensivo, pois nem sempre alguns grupos possuem sensibilidade para escutar a escola, ou vice-versa. Porém, nessa escola eu já esperava um acolhimento, advindo das minhas observações cotidianas. Dessa forma, posso dizer que a equipe do projeto, no geral, foi bem atenciosa na escuta da escola, o que contribuiu com a realização, inclusive futuras. E espero que tenha sido recíproca, tendo em vista que não acompanhei a ação integral por só trabalhar em um turno. Após o projeto, estou dialogando a performance com uma das turmas que acompanharam o projeto, e pretendo trabalhar com outras. Ou seja, é uma reverberação do projeto que irá continuar não somente o aspecto artístico, como o sensível e emocional, tão importantes como destacados no processo." 

Prof. Keven Sobreira Ferreira 

Escola Municipal Vicente Cruz

"É importante destacar que essa iniciativa tem um papel fundamental na formação desses jovens. A maioria nunca foi ao teatro. Os poucos que foram não tiveram contato com essa linguagem de forma recorrente. E ninguém conhecia a linguagem da performance. Por isso, a experiência não apenas ampliou o repertório cultural desses indivíduos, mas tornou esse repertório mais complexo, mais rico, mais aberto ao desconhecido.


 

Alunos atípicos participaram ativamente. Alunos meninos, que nunca haviam experimentado a costura, puderam se aproximar dessa atividade sem o peso do estigma — costurar, ali, não era "coisa de menina", era gesto de cuidado. Todos os alunos puderam falar de esperanças, afetos, sentimentos e processos de cicatrização das mais diversas questões.

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Em linhas gerais, a performance permitiu que a escola de tempo integral se alinhasse, ainda que minimamente, à função social que deveria cumprir. Em um ambiente tão difícil como o que as escolas desse perfil têm enfrentado, com descaso e precarização, a atividade gerou um momento de reconexão entre alunos e professor. Um momento sensível, mais leve, em meio ao cotidiano pesado.

 

Os alunos ficaram interessados em ver mais sobre essa linguagem. E eu também. Saímos todos um pouco remendados — e um pouco mais inteiros."

Prof. Rafael Cesar da Costa Corrêa

Escola Estadual de Tempo Integral Maria de Lourdes Rodrigues Arruda

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